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Mostrando postagens de novembro, 2022

Herberto Helder

FALEMOS DE CASAS, do sagaz exercício de um poder tão firme e silencioso como só houve no tempo mais antigo. Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,  sorrindo com ironia e doçura no fundo de um alto segredo que os restitui à lama.  De doces mãos irreprimíveis. — Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,  as casas encontram seu inocente jeito de durar contra  a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras. Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta  do gosto, o entusiasmo do mundo. Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio  admirável das fontes —  pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste  como fogo exemplar. Digamos que dormimos nas casas, e vemos as musas  um pouco inclinadas para nós como estreitas e erguidas flores  tenebrosas, e temos memória e absorvente melancolia e atenção às portas sobre a extinção dos dias altos. Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,  espanta...

Audre Lorde

WOMEN WHO BUILD NATIONS learn to love men who build nations learn to love children building sand castles by the rising sea ////